Lançamento de Livro e Site Oficial Celebram 55 Anos do Grupo Teatro Novo

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Tornar público com enaltecimento é a intenção do Teatro Novo que vem comemorando desde o último dia 28 de janeiro de 2021, os seus 55 anos de existência com um livro histórico e site oficial do grupo teatral, um dos contemplados pela Lei Aldir Blanc, através das Secretarias de Cultura de Fortaleza e do Estado do Ceará, graças aos recursos provenientes da Lei Federal N° 14.017, de 29 de junho de 2020, ano em que o mundo foi atingido pelo vírus avassalador da Covid 19.

“Eles promoverão a divulgação do nosso Patrimônio Histórico Imaterial, bem como, a preservação de nossa memória cultural e a consolidação no cenário teatral cearense”, disse Sidney Malveira, diretor do Teatro Novo, ao avaliar a verba direcionada para a publicação da obra “A Trajetória do Teatro Novo”, nas versões física e digital e, também, na criação do Site Grupo Teatro Novo (GTN), que se renova a cada ano que passa.

Os interessados em conhecer as cinco décadas e linha do tempo do GTN, podem acessar os Canais do Teatro Novo e do Theatro José de Alencar, no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=0ims_WLpTbs e https://www.youtube.com/theatrojosedealencar. A história do Teatro Novo está publicada também, no site: grupoteatronovo.com.br.

“Não poderíamos deixar de celebrar esse marco para o veterano Teatro Novo, com mais de meio século e que vem colaborando ativamente para o cenário teatral de Fortaleza”, ressaltou Sidney Malveira, diretor atual do GTN que compõe a equipe de pesquisa do referido catálogo, juntamente com Luciano Morais, Ricardo Guilherme e Drycca Freitas, que assina a edição do livro, revisado por Sabrina Bezerra Félix e diagramado por Alexandre Jales, responsável por todo o projeto gráfico.

Um importante momento histórico é o que vivencia hoje, a Companhia de Teatro,  pronta para levar cultura e conscientização social ao público em geral, com ênfase nas classes menos favorecidas. “Nessas cinco décadas de existência, mais de cento e cinquenta integrantes, dentre artistas, técnicos e produtores, contribuíram para a construção do Teatro Novo”, revelou Malveira, que exalta com louvor, o esforço de todos que fazem a companhia, uma das mais antigas e resistentes do Ceará, vale ressaltar.

 

O Teatro Novo

Ele surgiu nas artes cênicas do Brasil em 1965, considerado Ano Internacional da Cooperação, pela Assembleia Geral das Nações Unidas (Unesco). Hoje, tido como o segundo grupo teatral maior do Ceará, depois da Comédia Cearense, o Teatro Novo já representou o Estado em Festivais dentro e fora do Brasil, conquistou alguns prêmios e participou de diversos editais de cultura nos âmbitos municipal, estadual e nacional.

O Teatro Novo que tem plena atuação no mercado brasileiro com 36 produções, no total, foi criado legalmente, no referido ano, por três grandes expoentes das artes cênicas no Ceará: o saudoso e desbravador ator, diretor teatral, cenógrafo e autor cearense, Marcus Miranda; o então Aderbal Júnior (atualmente, Aderbal Freire Filho) e, ainda, pela atriz Maria Luíza Moreira.

Para a estreia do mais novo grupo de teatro cearense, foi realizada a sofisticada e bem cuidada montagem de “Deu Freud Contra”, de Silveira Sampaio. O espetáculo, cartaz do Teatro Universitário de Fortaleza, chegou a ser um grande sucesso. Isso fez com que Aderbal Freire-Filho reconhecesse os méritos da fundação do Teatro Novo ao mestre Miranda, além de reforçar a importância deste artista para a cidade de Fortaleza.

Foi na Capital cearense em 1951, que o destemido Marcus Miranda iniciou a sua carreira como ator e diretor da peça “O Noivo de Luiza” de Saint-Clair Senna. Ele arrebatava as plateias, arrancava delas grandes e boas gargalhadas, como também, era capaz de fazer o público chorar por sua falsa dor encenada. “O Grande Ator”. Era assim que os críticos de arte da sua época costumavam lhe chamar.

Êxito. É a palavra que consolidou a criação do Teatro Novo. Em sua primeira fase, o grupo era formado por atores e atrizes que faziam sucesso nas telenovelas e programas ao vivo na TV Ceará. Da mesma forma que a televisão recrutou  artistas de teatro, as artes cênicas também aproveitaram os artistas da TV. Foi dessa forma que muitos deles, que eram destaques na televisão, fizeram parte do Teatro Novo, como a inesquecível Antonieta Noronha.

Além de famosos, passaram também pelo Grupo Teatral, nomes das artes cênicas no Ceará, a exemplo de Walden Luís, Marcelo Costa, Clóvis Matias (ator de carisma incontestável com as crianças), Jório Nerthal, Erotilde Honório, Ricardo Guilherme, Ilclemar Nunes, Hugo Bianchi, Leuda Bandeira, Mazé Figueiredo, Ary Sherlock, Jane Azeredo, João Antônio, Deugiolino Lucas, Ana Marlene, entre outros.

 

Outras fases do Teatro Novo

1972. É o ano que inicia a fase em que Maria Luíza, uma das fundadoras, colocou ponto final em sua carreira. Aderbal Júnior, por sua vez, terceiro fundador seguiu para o Rio de Janeiro. Com isso, as produções do Teatro Novo ficaram paradas de 1972 a 1974. Em 1975, o Grupo retornou aos palcos com a direção de Miranda que firmou uma associação com a atriz Erotilde Honório, na montagem de “Presépio na Vitrine” de Roberto Freire.

Ainda, em 1975 e, também, 1976, o Teatro Novo desenvolveu um trabalho sistemático de cunho artístico-educativo em alguns colégios da Capital e do interior do Ceará, onde se esclarecia a importância do teatro no desenvolvimento do educando, para diretores, alunos e professores de “Educação Artística” e “Comunicação e Expressão”.

Em 1978, o incansável Marcus Miranda teve que dá uma pausa nas atividades, porque o seu coração exigia cuidados. Infelizmente, o artista inovador se distanciou dos palcos e permaneceu afastado do Teatro e de qualquer outro trabalho artístico durante oito anos consecutivos. Portanto, Miranda e o Teatro Novo ficaram parados de 1979 a 1986.

Depois de tratada a saúde, Marcus Miranda retoma as atividades e dá início a quarta fase do Teatro Novo, em 1987, através da montagem do espetáculo “Os Inimigos”, uma adaptação da peça de Pedro Bloch “Os Inimigos Não Mandam Flores” com Marcus Miranda e Chico Góes. No ano seguinte, 1988, Miranda completa 63 anos de vida e é convidado a participar de obras no cinema e, também, de peças teatrais de outros grupos.

Em decorrência disso e pela fragilidade de um corpo que naturalmente envelhece, o Teatro Novo é mais uma vez acometido por uma lacuna de nove anos de ausência do principal fundador do GTN. Mas, bons ventos sopraram em direção ao Teatro Novo, que, em 2001, deu início à sua quinta fase do Grupo, época que o consagrado artista conhece o jovem ator Sidney Malveira, o mesmo havia concluído recentemente, o curso de Direção Teatral no Instituto Dragão do Mar em Fortaleza (CE).

Para a surpresa de Sidney, Miranda lhe convida para assumir a direção e produção do espetáculo “Dorotéia vai à Guerra” de Carlos Alberto Ratton. Eles fazem a remontagem deste espetáculo em comemoração aos 50 anos de carreira de Marcus Miranda. Desta vez, dividindo o palco com o ator Jorge Ritchie, Miranda dá veracidade a sua teoria quanto ao artista e o fazer teatral: “…para fazer teatro é necessário ser humilde e disciplinado”.

Infelizmente já com 72 anos de idade, cheio de planos, mas com a saúde debilitada, o coração de Miranda para e as cortinas se fecham para esse grande mestre, em 15 de outubro de 2001. Com embargo na garganta e lágrimas nos olhos, os membros do Grupo Teatral dá adeus ao principal personagem dessa história, que tinha muito zelo pelo Teatro Novo, além de tentar mantê-lo na ativa desde a sua criação.

O Grupo Teatral precisava continuar! Sidney Malveira enxugou suas lágrimas e honrou a história de vida e arte do mestre, dando continuidade às atividades do Teatro Novo. Isso mostra que o GTN é passado de uma geração para outra mantendo seu interesse de renovação continuada. O Teatro Novo foi denominado assim, inicialmente, por significar o surgimento de um grupo com ideias e um novo modo de fazer teatral.

“O “Novo” é renovação. Novo porque a gente nunca para de aprender, de ver novas coisas… “Novo” por passar de um diretor veterano para um jovem diretor… “Teatro Novo” é isso, é estar sempre aberto para as novas possibilidades. É persistência e determinação”, definiu Sidney Malveira, que desde o dia 27 de maio de 2001 está à frente do Teatro Novo, onde já realizou com a sua assinatura, 16 espetáculos.

Em 2021, o Teatro Novo celebra 25 anos de carreira de Malveira e 20 que dirige o GTN, além de 15 do monólogo “Anônimos”. “O novo momento do Teatro Novo proporcionou o encontro de gerações como a possibilidade de experimentar novas ideias, novos desafios, novos atores e atrizes, novas dramaturgias, os novos e velhos processos do teatro, o teatro investigativo fundamentado na pesquisa, vivenciando cada instante de aprendizagem desta efêmera circunstância teatral”, revelou Sidney.

“Mesmo após a partida do Miranda, os contemporâneos do dramaturgo permaneceram trabalhando e encenando no Teatro Novo. Nós tivemos todo cuidado com esse encontro intergeracional. Então, esse foi um legado importante para esses 55 anos que a geração do Marcus Miranda deixou ao voltar aos palcos, continuar em cena…”, pontua Malveira, reconhecendo o ofício dos atores, apesar da idade e do tempo.

O atual diretor do GTN lembra ainda, fatos marcantes: “em 2012, o Teatro Novo conseguiu unir três grandes atores da geração do Miranda: Antonieta Noronha, Ary Sherlock e João Antônio. Nós tivemos essa alegria, essa felicidade de ver os três ao mesmo tempo em cena. O Teatro Novo é isso… está sempre inovando, renovando e preservando o nosso teatro cearense e todas essas personalidades que contribuíram para a história do teatro”, frisou Sidney que, ao lado do seu braço direito, a esposa e atriz cearense Drycca Freitas, pensa o hoje e o futuro do Grupo Teatro Novo.

Teatrografia do Grupo Teatro Novo 

Por Ricardo Guilherme

 

1. Deu Freud Contra  

Estreia: 23 de Julho de 1965 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Silveira Sampaio

Direção: Marcus Miranda

2.  Uma Janela para o Sol (ou Morre um Gato na China)

Estreia: 26 de outubro de 1965 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Pedro Bloch

Direção: Marcus Miranda

3. Dona Xepa

Estreia: 09 de junho de 1966 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Pedro Bloch

Direção: Marcus Miranda

4. As Aventuras de Pedro Malazartes

Estreia: 31 de julho de 1966 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: João Bittencourt

Direção: Marcus Miranda

5. Essa Mulher é Minha (ou João Gangorra)

Estreia: 06 de outubro de 1966 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Raimundo Magalhães Júnior

Direção: Marcus Miranda

6. Almanjarra

Estreia: 11 de agosto de 1967 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Arthur Azevedo

Direção: Marcus Miranda

7. Dois perdidos numa noite suja

Estreia: 12 de setembro de 1968 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Plínio Marcos

Direção: Marcus Miranda

8. O Pecado e a Flor

Estreia: 27 de março de 1969 I Teatro Universitário de Fortaleza

Texto: Eduardo Campos

Direção: Marcus Miranda

9. Soninha toda pura 

Estreia: 20 de dezembro de 1969 I Theatro José de Alencar

Texto: Ilclemar Nunes

Direção: Marcus Miranda

10. Aquela garota dos olhos grandes

Estreia: 17 de julho de 1970 I Theatro José de Alencar

Texto: Rubem Rocha Filho

Direção: Marcus Miranda

11. Deu Freud Contra

Estreia: 26 de março de 1971 I Theatro José de Alencar

Texto: Silveira Sampaio

Direção: Marcus Miranda

12. A História do Zoológico 

Estreia: 02 de julho de 1971 I Auditório Castelo Branco da Universidade Federal do Ceará

Texto: Edward Albee

Direção e Produção: Marcus Miranda

13. Presépio na Vitrine

Estreia: 03 de outubro de 1975 I Theatro José de Alencar

Texto: Roberto Freire

Direção: Marcus Miranda

14. O Aniversário 

Estreia: 09 de outubro de 1976 I Theatro José de Alencar

Texto e Direção: Ricardo Guilherme

15. As Presepadas de Pedro Malazartes (ou As Aventuras de Pedro Malazartes ou ainda Buenas Noches, Querido Público)

Estreia: 28 de dezembro de 1976 I Teatro da EMCETUR

Texto: João Bittencourt

Adaptação e Direção: Marcus Miranda

16. Dorotéia vai à Guerra

Estreia: 25 de janeiro de 1977 I Teatro do IBEU

Texto: Carlos Alberto Ratton

Direção: Marcus Miranda

17.  Corte de Luz

Estreia: 04 de outubro de 1978 I Teatro da EMCETUR

Texto e Direção: Marcus Miranda

18. Os Inimigos (adaptação “Os Inimigos Não Mandam Flores”)

Estreia: dezembro de 1987 I Teatro do IBEU

Texto: Pedro Bloch

Direção: Marcus Miranda

19. Como diria Montaigne

Estreia: 19 de novembro de 1991 I Teatro Nadir Papi Sabóia

Texto: Wilson Sayão

Direção: Marcus Miranda

20. As Presepadas de Pedro Malazartes

Estreia: Em 1992 I Teatro Nadir Papi Sabóia

Texto: João Bittencourt

Direção: Gilvan Ferraz

21. Dorotéia vai à Guerra

Estreia: 27 de maio de 2001 I Theatro José de Alencar

Texto: Carlos Alberto Ratton

Produção e Direção: Sidney Malveira

22. Um Minuto de Silêncio 

Estreia: 04 de setembro de 2002 I Theatro José de Alencar

Texto: Aldo Marcozzi

Direção: Sidney Malveira

23. As Bestas (ou Quarta-feira sem falta lá em casa)

Estreia: 18 de julho de 2003 I Teatro SESC Emiliano Queiroz

Texto: Mário Brasini

Direção: Sidney Malveira

24. Zona Contaminada

Estreia: 09 de março de 2004 I Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Texto: Caio Fernando Abreu

Direção: Sidney Malveira

25. Tempo de Espera 

Estreia: 15 de setembro de 2005 I Galpão de Artes

Texto: Aldo Leite

Direção: Sidney Malveira

26. Anônimos

Estreia: 02 de setembro de 2006 I Theatro José de Alencar

Texto e Direção: Sidney Malveira

27. Eu Ando, Tu Andas, Eles… Observam

Estreia: 19 de setembro de 2006 I Theatro José de Alencar

Texto e Direção: Dryca Lima

28. Coisas, Palavras e Canções

Estreia: 11 de setembro de 2008 I SESC SENAC Iracema

Texto: Ary Sherlock, Ricardo Guilherme e outros…

Direção: Ary Sherlock

29. Bianchi. História e Sonho de um Bailarino

Estreia: 30 de abril de 2010 I Theatro José de Alencar

Texto e Direção de Elenco: Aldo Marcozzi

Direção Geral: Sidney Malveira

 

30. Na Contramão do Tempo

Estreia: 29 de janeiro de 2011 I Teatro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Direção: Sidney Malveira

31. Na Corda Bamba

Estreia: 11 de agosto de 2012 I Teatro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Texto: Aldo Marcozzi 

Direção: Allan Duvale

32. Lix. O Super Lixeiro em Chama a Minha Mãe Aííí!

Estreia: 09 de agosto de 2013 I Teatro SESC Emiliano Queiroz

Texto: Allan Duvale

Direção: Leuda Bandeira

33. Tempo de Espera

Estreia: 06 de setembro de 2013 I Teatro SESC Emiliano Queiroz

Texto: Aldo Leite

Direção: Sidney Malveira

34. Nu

Estreia: 07 de março de 2014 I Teatro SESC Emiliano Queiroz

Texto: Rafael Barbosa e Sidney Malveira

Direção: Sidney Malveira

 

35. A Raposa das Tetas Inchadas

Estreia: 30 de abril de 2015 I Theatro José de Alencar

Texto: Rafael Barbosa

Direção: Sidney Malveira

36. As Aventuras de Nando e Bia. Os Viajantes da Paz

Estreia: 10 de abril de 2016 I Teatro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Texto: Drycca Freitas, Rafael Barbosa e Sidney Malveira

Direção: Sidney Malveira e Drycca Freitas

 

*Comemoração dos 55 Anos do Grupo Teatro Novo

O que?

>Lançamento do Livro “A Trajetória do Teatro Novo” e Site Oficial do Grupo Teatro Novo

 

Período?

 

>Desde o último dia 28 de janeiro de 2021. A previsão é que as comemorações sigam até 31 de dezembro do corrente ano, com bate-papo e, também, outras celebrações. Isso, com a participação do diretor Sidney Malveira e membros do Teatro Novo e, ainda,  expoentes das artes cênicas e do meio-artístico cultural do Brasil.

Onde:

*Canais do Youtube:

 Grupo Teatro Novo

 https://www.youtube.com/watch?v=0ims_WLpTbs

Theatro José de Alencar

 https://www.youtube.com/theatrojosedealencar

*Site: grupoteatronovo.com.br

 

AcessoGratuito

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