LP “Maraponga”, de Ricardo Bezerra, 40 Anos depois

 

 

O LP “Maraponga”, de 1978, do compositor cearense Ricardo Bezerra, será revisitado no dia 6 de dezembro, quinta-feira, às 19h, no Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), com direção musical do próprio artista, Mimi Rocha e Pedro Madeira, acompanhado pela Orquestra Popular do Nordeste e as participações de Mona Gadelha, idealizadora do projeto, Mimi Rocha, Nélio Costa e Tito Freitas. Contará também com as participações de Vinícius e Miguel, netos de Ricardo e Bete. Thiago Almeida fará novos arranjos e adaptações.

Lançado pelo selo EPIC, da CBS/Sony, “Maraponga” teve a direção musical assinada por Raimundo Fagner, Ricardo Bezerra e Hermeto Pascoal, o qual fez belos arranjos do disco. O LP contou com participações nos vocais de Amelinha (La Condessa, música de Ricardo Bezerra, Brandão e Ribamar, também gravada por Mona Gadelha no disco “Praia Lírica, um tributo à canção cearense dos anos 70”, em 2011). E o próprio Fagner também participa cantando “Manera Fru Fru”, composição em parceria com Ricardo, que deu título ao seu celebrado disco de 1973. Os músicos convidados eram os nomes mais expoentes da cena brasileira naquele momento: Nivaldo Ornelas, Mauro Senise, Jacques Morelembaum, Serginho Boré, Sivuca, Robertinho de Recife, Marcio Malard, Bernado Bessler, Luiz Paulo Peninha, Itiberê, Cláudio Araújo e Zé Carlos.

As canções que mais se destacaram foram “Cavalo Ferro” e “Manera Fru Fru Manera”, ambas em parceria com Fagner. “Cavalo Ferro” também entrou no disco Pessoal do Ceará, de 1973. A música “Cobra”, de Alano Freitas e Stelio Valle, foi bastante cultuada por diversos intérpretes nos anos 70 e 80, como Rossé Sabadia e Lúcio Ricardo, entre outros.

O título do LP foi uma homenagem ao sítio que Ricardo e Bete viviam, lugar de permanente encontros de amigos artistas e músicos, antes do período da produção do LP. O sítio da “Maraponga” guarda muitas histórias e recordações. Recebeu visitantes como Rita Lee, Gonzaguinha, Alceu Valença, Antonio Adolfo e Zé Ramalho. Era frequentado por Petrúcio Maia, que tantas vezes madrugou por lá tocando e compondo ao piano, e teve em Fagner um morador temporário.

Para relembrar um dos trabalhos mais significativos da década que marcou a ascensão da música cearense em âmbito nacional, os anos 70, e comemorar os 40 anos de lançamento de uma obra atemporal, o show, idealizado pela cantora e compositora Mona Gadelha, promove o encontro de gerações. O jovem músico e compositor Pedro Madeira, criador da Orquestra Popular do Nordeste, formação de 12 músicos que participou do Laboratório de Música do Porto Iracema das Artes em 2017 com a tutoria de André Mehmari, assim como os veteranos Mimi Rocha, Nélio Costa e Tito Freitas. E as participações de Vinicius e Miguel Bezerra, netos de Ricardo e Bete.

REPERTÓRIO

1-Maraponga (Ricardo Bezerra)

2-Cobra (Alano Freitas/Stelio Valle)

3-La Condessa (Soares Brandão/Ricardo Bezerra)

4-Celebração (Ricardo Bezerra)

5-Sete cidades (Ricardo Bezerra)

6-Gitana (Ricardo Bezerra)

7-Cavalo-Ferro (Ricardo Bezerra/Fagner)

8-Manera Fru Fru Manera (Ricardo Bezerra/Fagner)

9-Improviso (Ricardo Bezerra)
FICHA TÉCNICA
Direção Geral: Ricardo Bezerra | Mona Gadelha | Maira Sales
Direção Musical : R. Bezerra, Mimi Rocha e Pedro Madeira
Concepção e Direção Artística: M. Gadelha
Arranjos: Thiago Almeida e Giltacio Santos
Pesquisa de Ambientação: Bete Dias e Zé Tarcísio
Direção de Arte: Hector Isaias
Fotografia: Rafael Parente
Som e Captação: Tuan Fernandes e Gustavo Carvalho
Pesquisa: Pedro Lima
Cenário | Cenário Digital: B. Dias | H. Isaias | M. Sales | R. Bezerra
Produção: R. Bezerra | M. Sales | M. Gadelha
Produção Executiva : Brazilbizz Music

PALCO
Ricardo Bezerra | Voz | Piano
Participações Especiais
Mona Gadelha | Voz
Mimi Rocha | Guitarra
Tito Freitas | Piano
Nélio Costa | Baixo
Vinicius Bezerra | Violão
Miguel Bezerra | Violão
Orquestra Popular do Nordeste
Pedro Madeira | Guitarra e Bandolim
Mateus Farias | Flauta
Giltacio Santos | Clarinete
Michael Rodriguez | Bateria
Paulinho Lima | Violino 1
Gabriel Padron | Violino 2
Marcílio Brito | Viola
Juliana Aragão | Cello

 

Serviço:
Dia 06 de dezembro de 2018, quinta-feira
Show | Maraponga 40 Anos Depois | Uma Releitura do LP Maraponga de 1978 de Ricardo Bezerra, com as participações de Mona Gadelha, Mimi Rocha, Nélio Costa, Tito Freitas e Orquestra Popular do Nordeste.
Horário : 19h
Classificação: Livre
Duração do show: 1h15
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 20,00 | Já estão à venda na bilheteria do Cineteatro e no site da Tudus
Local | Cineteatro São Luiz
Rua Major Facundo, 500 – Centro, Fortaleza – CE, 60025-130
Tel. (85) 3252-4138

 

 

RICARDO BEZERRA E O ‘PESSOAL DO CEARÁ’

O final dos anos 1960 foi de grandes transformações políticas e culturais. No bojo desse movimento mundial, surge, no Ceará, um inquieto grupo de jovens universitários, tendo o diretório da Escola de Arquitetura da UFC e os bares do Anísio e o Estoril como seus principais redutos culturais.

Nesse meio, foi o grupo de música o que mais se destacou, principalmente, através dos festivais e dos programas locais de TV da época. Nessa ‘turma’ estava Ricardo Bezerra, estudante de Arquitetura, vindo, pelo lado materno, de uma família de Aracati (CE), terra de reconhecida musicalidade.

Da convivência entre esses jovens, surgem parcerias musicais que resultaram em hoje clássicos da MPB. Tendo composições em parceria, com poetas do calibre de Brandão, Fausto Nilo e Petrúcio Maia, é, no entanto, com Raimundo Fagner que o trabalho musical de Ricardo Bezerra se consolida em canções, hoje antológicas, tais como Cavalo-Ferro, Manera Frufru Manera e Sina, esta última com o poeta popular Patativa do Assaré.

No momento da decisão de dedicar sua vida profissional à música, o que significava, na época, a mudança para o eixo Rio-São Paulo, RB opta por concluir a faculdade de arquitetura e permanece em Fortaleza, continuando aí o seu trabalho musical, procurando incentivar os novos valores musicais que vinham surgindo no rastro do grupo inicial. Entre estes se destacaram Amelinha, os irmãos Gracho e Caio Silvio e Francisco Casaverde.

Em 1972 se casa (com a jornalista Bete Dias), mora durante um ano em Recife, trabalhando como diretor de criação de uma agência de publicidade, época em que se relaciona com artistas e intelectuais pernambucanos jovens onde se destacavam Alceu Valença, Geraldinho Azevedo, Thiago Amorim, Zé Ramalho, Cavani Rosas, Ricardo Noblat e Ivan Maurício entre outros.

Em 1974, retorna a Fortaleza e passa a morar, com a família, na Maraponga, num sítio à beira da lagoa, local que se torna ponto de referência para o pessoal da música e das artes em geral. Nessa época Fagner passa a morar com a família e reforça ainda mais a força de convergência do local para os artistas da terra e os de fora. Foram hóspedes na Maraponga, no começo de suas carreiras, figuras como Gonzaguinha, Alceu Valença, Antônio Adolfo entre outros.

Em 1977, RB resolve voltar à música como profissional e a partir de convite do Fagner, vai para o Rio gravar um LP, Maraponga, com a produção do amigo e parceiro, para a então CBS.

Mais uma vez, sentindo que o mundo da música popular, o chamado show business, não era sua verdadeira vocação, RB retorna a Fortaleza e resolve dedicar-se ao ensino de arquitetura, sendo então admitido como professor na Escola de Arquitetura da UFC.

Sua música, no entanto, continuou nascendo em esparsas mas significativas composições feitas em parceria com amigos. Enquanto isso tem músicas gravadas pelo Quarteto em Cy, Nara Leão, Ney Matogrosso, além do chamado Pessoal do Ceará (Ednardo, Ródger e Teti). Nos meados dos anos 1980, parte com a família (agora mulher e três filhos) para o Arizona, onde faz um mestrado em arquitetura da paisagem. No início dos anos 90, continuando sua formação, parte para a Inglaterra a fim de obter um doutorado em urbanismo. É durante a fase de redigir esse trabalho que ressurge a música e várias composições nascem das entrelinhas da sua tese.

São estas composições, somadas a algumas que haviam ficado guardadas no passado, que RB compõe um novo disco: Notas de Viagens, feito mais de 20 anos após o primeiro. Neste trabalho, estritamente instrumental, suas músicas são arranjadas por Adelson Viana, Cristiano Pinho e Ricardo Bacelar.

Passados dez anos desse último trabalho, e uma apresentação solo no Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga, a convite de Rachel Gadelha, em 2009, novas composições estão criadas, prontas para compor um novo CD.

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