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Lançada convocatória para coletiva de fotógrafos cearenses

 

Fotógrafos cearenses ou residentes há pelo menos dois anos no Ceará podem participar da seleção para a Exposição Coletiva do Encontros de Agosto 2017. A convocatória está aberta até o dia 30 de novembro para profissionais ou amadores, com propostas individuais ou coletivas. As inscrições são gratuitas e o formulário está disponível para download na página do festival no Facebook, onde também se encontra a Convocatória: https://www.facebook.com/encontrosdeagosto/.  O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 02 de dezembro.

Com o tema “FRONTEIRAS – olhar adiante”, o Encontros de Agosto 2017 acontecerá de 14 a 16 de dezembro, com exposições, projeções de rua, ocupação de espaços da cidade e ações formativas. O Museu da Cultura Cearense do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura abrigará, de 14 de dezembro a 28 de janeiro de 2018, a Coletiva de Fotógrafos Cearenses e uma mostra de fotógrafos convidados do Uruguai.

A sétima edição do Encontros de Agosto é realizada pela Imagem Brasil e Anima Cult, com apoio institucional da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) por meio do Edital Mecenas, tendo a Enel como empresa apoiadora por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. São parceiros desta edição do festival: Centro de Fotografia de Montevidéu, FestFoto Porto Alegre, Ifoto – Instituto de Fotografia do Ceará e RPCFB – Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil.

SELEÇÃO E PREMIAÇÃO DA COLETIVA 

Para a Coletiva de Fotógrafos Cearenses serão selecionados ensaios fotográficos realizados nos últimos três anos, relacionados ao tema desta edição “FRONTEIRAS – olhar adiante”. Serão escolhidosaté 20 ensaios inéditos ou já exibidos. O festival ficará responsável pelas impressões e montagens dos trabalhos e haverá cachê de R$ 500,00 (quinhentos reais) para cada autor (individual ou coletivo), a título de participação na exposição.

Os dois melhores trabalhos receberão, respectivamente, prêmios de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais). Com a parceria do Centro de Fotografia de Montevidéu (CDF), ambos serão contemplados também com passagens para a capital do Uruguai, onde terão a oportunidade de participar da programação desse equipamento cultural.

Os projetos que tenham cumprido as condições especificadas na Convocatória (etapa de Habilitação), passam para a fase de Seleção para Exposição, onde serão analisados e pontuados. Acomissão de seleção será composta por Carlos Carvalho (fotógrafo e representante do Festival Internacional de Porto Alegre – FestFoto), Daniel Sosa (Diretor do Centro de Fotografia de Montevidéu) e Silas de Paula (fotógrafo, Conselheiro e Curador do Festival Encontros de Agosto).

Após a etapa de Seleção para Exposição, será realizada a Leitura de Portfolios, a fim de definir os dois ganhadores dos prêmios. Os artistas selecionados se inscreverão para participar das Leituras de Portfolios com os três membros da comissão de seleção. Essa ação promovida pelo Festival possibilitará que aos artistas selecionados possam ter uma apreciação mais completa de seus trabalhos e serão também pontuados pelo conjunto de suas obras. Os prêmios serão indicados, portanto, pela pontuação da avaliação inicial para participação na mostra coletiva e somatório da pontuação das leituras de portfolios.

ENCONTROS DE AGOSTO 2017 

Aberta no Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto, com os eventos FotoFesta e FotoPasseio, esta edição do Encontros de Agosto é comemorativa de sete anos do Festival. “Será o fechamento de um ciclo. A partir de 2018 teremos um evento ampliado e com abrangência internacional”, adianta Patrícia Veloso, organizadora do Festival.

SERVIÇO

Convocatória para Exposição Coletiva de Fotógrafos Cearenses / Encontros de Agosto 2017 – Inscrições abertas até o dia 30 de novembro. Edital e ficha de inscrição disponíveis na página do festival no Facebook: https://www.facebook.com/encontrosdeagosto/. O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 02 de dezembro de 2017 por meio do site www.encontrosdeagosto.com e página do Facebook. Informações: (85)3261-0525 e encontrosdeagosto@gmail.com.

  

Museu da Fotografia Fortaleza recebe mostra com o olhar brasileiro na cobertura de conflitos armados

 

O Museu da Fotografia Fortaleza recebe, a partir de 4 de outubro, Na Linha de Frente, exposição que reúne trabalhos dos principais fotógrafos brasileiros de conflitos armados – vertente da fotografia com o qual começamos a flertar muito recentemente apenas. A mostra, que tem curadoria de Fernando Costa Netto, apresentará ao público mais de 70 registros de fotojornalistas ainda em atividade. São trabalhos de figuras como Mauricio Lima, vencedor do prêmio Pulitzer de 2016, e de André Liohn, ganhador da prestigiada Robert Capa Gold Medal, 2011.

Ao longo das últimas décadas, não foram raros os conflitos ao redor do mundo. Duas Guerras Mundiais, o interminável embate entre Israel e Palestina, além de confrontos emblemáticos em locais como Coreia, Irã, Vietnã, Congo, Angola, Líbano e Afeganistão. Na maioria das vezes, a história que correu no front foi contada pelas lentes de fotógrafos norte-americanos, franceses e japoneses. Em nenhum desses episódios tivemos uma forte cobertura fotográfica brasileira.

“A não ser nas salas de cinema, nunca havíamos estado nas primeiras filas acompanhando uma batalha”, afirma o curador da exposição, que abarca ensaios sobre a produção brasileira de fotografia de guerra e suas nefastas consequências. Além dos registros de Mauricio Lima e André Liohn, o público também será apresentado aos trabalhos de Yan Boechat, João Castellano, Felipe Dana e Gabriel Chaim – este último, fotojornalista que teve suas imagens da Síria e do Iraque exibidas durante duas turnês mundiais da banda irlandesa U2.

“São registros surpreendentes, que entram pelos poros – infelizmente, nos tocam pela estupidez e dor. Através do olhar desses bravos brasileiros, temos acesso privilegiado a esses momentos da história, além da chance de poder refletir a respeito do que os leva a acontecer e o absurdo que representam”, completa Fernando.

Os trabalhos selecionados para a exposição apresentam ao visitante olhares pouco convencionais sobre a guerra da Líbia durante a deposição do ditador Muamar Kadafi; a retomada de Mossul, cidade iraquiana que esteve sob domínio do Estado Islâmico; a vida em um campo de refugiados no norte do Iraque e também a destruição que tomou conta das cidades de Alepo e Kobani, na Síria. A mostra traz ainda o relato fotográfico da jornada de uma família que deixou o norte do país em busca de uma nova vida na Europa.

 

Os fotógrafos

Natural de Botucatu, no interior de São Paulo, André Liohn é autor de um trabalho marcado pela crueza e originalidade e por sua capacidade em colocar o espectador a um braço de distância da destruição e do sofrimento causados pelos conflitos. Sem filtros é o nome do ensaio que traz o retrato das vítimas da Guerra Civil na Líbia, de rebeldes a soldados do ditador Muamar Kadafi.
O fotógrafo Mauricio Lima se define como um contador de histórias – humanas, essencialmente. É o que ele faz em Farida, um Conto Síriosérie-síntese da história de milhares de refugiados do Oriente Médio que, em 2015, abandonaram suas casas, deixando para trás vidas inteiras – famílias, bens e histórias. Durante sua jornada, o fotógrafo conheceu a família Majid, que percorreu 6 mil quilômetros, de Afrim, na Síria, até a cidade de Backhammar, na Suécia, onde vivem hoje. Ao longo desta epopeia, sua relação com seus fotografados se transformou em cumplicidade. Como fotógrafo, Mauricio visa não só provocar reações em seu interlocutor, mas exige-lhe mudanças para que juntos possam transformar o mundo em um lugar mais justo para se viver.

 

Sonhos é a série apresentada pelo fotojornalista João Castellano, que retrata o impacto devastador da guerra contra o Estado Islâmico nas crianças sobreviventes, que tiveram sua vida interrompida pelo conflito: perderam parentes, amigos, casa, brinquedos. Seus sonhos, entretanto, seguem intactos. Como qualquer criança, sonham com um futuro onde poderão ser médicos, professores, jogadores. Seus retratos traduzem esse sentimento: têm uma expressão grave e ao mesmo tempo serena. Nos poucos segundos de captura de seus semblantes, não são mais vítimas – tornam-se protagonistas.
O paraense Gabriel Chaim apresenta Manifesto Inequívoco, registro das violentas e covardes ações do ditador Bashar Al-Assad, em Alepo, na Síria. Suas fotografias são manifestos inequívocos de que a sociedade vai mal e os inocentes são os que pagam esta conta. O fotógrafo retrata a guerra, trazendo à luz o impacto dos conflitos à parte mais fraca e oprimida: crianças, jovens, mulheres e idosos.
O jornalista Yan Boechat revela, por fotos, aquilo que não é capaz de traduzir em palavras. Suas fotografias são a forma que ele encontrou para conhecer e levar à público situações, eventos e momentos que precisam ser trazidos à tona e discutidos. Na série Uma visão independente, ele apresenta relances das batalhas entre o Estado Islâmico e as forças armadas iraquianas em Mossul, cidade do norte do Iraque.
A barbárie que acomete a cidade iraquiana é também o pano de fundo de Faces da Guerra, ensaio de Felipe Dana, fotojornalista da Associated Press que tem passado longas temporadas na região. Em seu dia a dia, ele produz vídeos por drones e retratos com lentes curtas, levando seu interlocutor a cenários bem próximos das cenas retratadas.

 

Institucional

Compreendendo sua função social para além do espaço expositivo, o Museu da Fotografia realiza uma série de ações que têm como objetivo a divulgação de novos talentos e a promoção da fotografia contemporânea a partir da realização de cursos e visitas guiadas para a terceira idade e de oficinas e workshops voltados a artistas, estudantes e educadores – resultado, inclusive, da proximidade da instituição junto às Secretarias de Cultura (Secult) e de Educação do Estado (Seduc) e às Secretarias Municipais da Educação (SME) e de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O MFF tem também uma equipe de monitoria formada pelos alunos dos cursos de Comunicação Social, Pedagogia e Artes Visuais do Instituto Federal do Ceará (IFC), da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e da Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

 

Na Linha de Frente

Local: Museu da Fotografia Fortaleza
Endereço: Rua Frederico Borges, 545 | Varjota | Fortaleza – CE
Período expositivo para o público: de 4 de outubro de 2017 a maio de 2018
Visitação: de quarta-feira a sábado, das 12h às 17h

Inscrições abertas para oficina de Fotografia para Iniciantes

 

 

A plataforma Bora2Brasil oferece, neste sábado (22),  oficina de Fotografia para Iniciantes. No encontro, que terá três horas de duração, o fotógrafo e professor Thiago Braga vai ensinar técnicas básicas de fotografia, entre as quais, domínio dos elementos de uma câmera (ISO, diafragma e obturador), além de exercícios de fixação.

A oficina terá início às 9h, no Passeio Público. A inscrição custa R$ 80 e deve ser efetuada até sexta-feira (21), no site www.bora2brasil.com.br.

 

 

Sobre Thiago Braga

Thiago Braga é professor e fotógrafo, formado em filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e mestre em comunicação pela Universidade Federal do Ceará, onde desenvolveu pesquisas sobre estética fotográfica e filosofia da fotografia. Diretor de pesquisa e intercâmbio do Ifoto, lecionou no Porto Iracema das Artes e, atualmente, trabalha na Travessa da Imagem.

 

Sobre a Bora2Brasil

A Bora2Brasil é uma iniciativa cearense e nasceu a partir de um evento do Google com foco em cidades inteligentes, o Startup Weekend Smart Cities, realizado em Fortaleza. A plataforma online une locais e visitantes em um só lugar, oferecendo atividades, passeios e oficinas pelo Brasil. No site, lançado no mês de junho, turistas e moradores podem encontrar diferentes experiências para desfrutar, como um passeio no Parque do Cocó guiado por uma bióloga em Fortaleza, um jantar vegano no Rio de Janeiro e uma oficina de marcenaria para iniciantes.

Centenário de Chico Albuquerque é lembrado com a mais completa exposição já realizada sobre sua obra

 


Chico Albuquerque em foto de Delfina Rocha

A história da fotografia no Brasil passa por muitos nomes, mas poucos traçaram esse percurso com pioneirismo, múltiplas habilidades, extremo domínio da luz e da técnica e alcançaram o patamar de mestre de gerações de fotógrafos Brasil afora, como é o caso de Chico Albuquerque.

Nascido há 100 anos (25 de abril de 1917) e falecido há 16 (26 de dezembro de 2000), “Seu Chico” como era chamado por tantos amigos, colegas e admiradores de sua obra, foi o precursor da fotografia na publicidade no Brasil e fez escola com sua arte que foi, é e será sempre uma grande referência.

Para marcar o centenário de nascimento, o Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio de Janeiro, e a Terra da Luz Editorial, do Ceará, abrem no dia 25 de abril a exposição “O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos“, que ocupará os dois andares do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Esta será a mais completa mostra sobre a sua obra, somando cerca de 400 fotografias, além de objetos, livros, recortes, exibição de filmes (“It’s All True“, “Cangaceiros“), documentários sobre ele, vídeo sobre o livroMucuripe, entrevistas, entre outros. A mostra abre o festival Maloca Dragão, que este ano tem como tema “It’s All True, Orson Welles – 100 anos de Chico Albuquerque”.

“Essa exposição pretende apresentar ao público a maestria de Chico Albuquerque, que teve uma rica trajetória de mais de 65 anos na fotografia brasileira”, diz Patricia Veloso, da Terra da Luz, que divide a curadoria com Sérgio Burgi, do IMS.

 

Imagens preservadas

Muitas fotografias serão expostas pela primeira vez no Ceará. Elas são parte do acervo de cerca de 75 mil imagens produzidas pelo fotógrafo cearense em São Paulo entre 1947 e 1975, que está preservado na Reserva Técnica Fotográfica do Instituto Moreira Salles por meio de convênio com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Esse material foi digitalizado no IMS, que fez, em seguida, um minucioso trabalho de recuperação das imagens, boa parte delas bastante degradadas. Outra parte da exposição é composta por fotografias mantidas no Ceará, sendo, pois, um encontro de acervos, dando uma visão de toda a obra, resultando na mais completa mostra já realizada sobre ele.

O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos” apresenta as várias fases de sua vida e obra. Uma das salas lembra o período de 1934 a 1945, que são os primeiros anos da ABAFILM, fundada em Fortaleza por seu pai, Adhemar Bezerra de Albuquerque, e o início da carreira profissional de Chico, que esteve à frente do estúdio da empresa de fotografia do pai. É dessa época o trabalho de still do filme It’s All True, do cineasta Orson Welles, do qual participou Chico Albuquerque, e os registros do cangaço feitos por Benjamim Abrahão, cujo serviço foi contratado pela ABAFILM.

Em 1945 Chico Albuquerque mudou-se para São Paulo, onde abriu seu estúdio e destacou-se como um dos melhores retratistas do país, tornando-se um ícone da fotografia publicitária no Brasil, atividade que iniciou em 1949 junto às maiores agências de publicidade nacionais e internacionais.

Do período que residiu em São Paulo datam a série de cerca de 50 retratos de artistas, políticos e outras personalidades, as fotografias de arquitetura, moda, indústria automobilística e as imagens urbanas da capital paulista, produzidas nas décadas de 1960 e 1970, nunca expostas em Fortaleza. Na mostra há também um espaço dedicado ao fotoclubismo, movimento que participou como membro do Foto Cine Clube Bandeirante e que projetou a fotografia brasileira no cenário internacional.

 

Mucuripe, Frutas e Jericoacoara

Do acervo que permanecem no Ceará, estão séries como Frutas, de 1978, Jericoacoara, sendo este o último ensaio que realizou, em 1985, eMucuripe, a famosa documentação sobre os jangadeiros na praia de Fortaleza registrada por Chico Albuquerque em duas épocas distintas. A primeira vez foi em 1952, gerando uma grande repercussão nacional, com exposição no MASP e divulgação em revista de circulação nacional. A segunda, 36 anos depois, em 1988, cujas fotografias compuseram a primeira publicação do livro Mucuripe, lançado no ano seguinte. Editora e curadora também dos livros sobre a obra de Chico Albuquerque, Patricia Veloso lembra que as duas primeiras edições de Mucuripe tiveram o acompanhamento do fotógrafo nos serviços de impressão em São Paulo.

 

Recortes e afetos

A exposição reserva um espaço que é chamado pelos curadores como Sala dos Afetos, com registros de pessoas que fotografaram Chico Albuquerque, fotos pessoais, da família e lugares onde morou.

 

Instalação e Performance Visual na abertura

A abertura no dia 25 será acompanhada da instalação “Jangadeiros”, do ilustrador, grafiteiro e artista plástico Rafael Limaverde, e do show “Quatro homens e uma jangada”, uma performance sonora visual criada por Eric Barbosa que, juntamente com os músicos Guilherme Mendonça e Julio César Santana Pepeu e o artista visual Dimitri Lomonaco, realizam uma reinterpretação audiovisual do filme de Orson Welles.

 

Serviço:

Exposição “O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos”

Data da abertura no dia 25 de abril

Horário: às 19h

Local: MAC-CE do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Obs.: a exposição fica em cartaz até o dia 02 de julho de 2017. Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30).

Acesso gratuito.

Informações: (85)3488.8624.

Mostra “Caligrama” reúne trabalhos de quatro mulheres cearenses

 

A Galeria Contemporarte, localizada na rua Vilebaldo Aguiar, 300, no bairro Cocó, recebe, até 3 de abril, a mostra “Caligrama”, que reúne, pela primeira vez, trabalhos das artistas Ana Cristina Mendes, Luiza Simons, Tete Alencar e Tereza Dequinta.

 

Em comum, a cearensidade e o reconhecimento mundial das conterrâneas de estilos tão distintos. A abertura será nesta quinta (16), às 19h, com a presença das artistas. Luzia Simons virá diretamente de Berlim para a estreia da exposição e conversa com convidados. “É com imenso prazer que retorno ao Ceará para dividir esse momento com estas grandes artisitas”, adianta.

 

A inspiração para o nome da exposição veio da fragmentação poética, quando as frases tomam formas de pessoas, rostos ou qualquer objeto que cause o entendimento geral da mensagem a ser passada. Assim, surge a Caligrama, composta por quarto artistas cearenses de prestígio e conhecimento internacional, numa “conversa” inédita a partir de diferentes técnicas e visões de mundo pelo olhar que cada uma imprime na arte. No acervo, fotografias, desenhos, vídeo e pinturas.

 

Para o diretor da Contemporarte, Aldonso Palácio, o encontro simboliza um recorte de uma cena artística contemporânea feita por artistas que vêm construindo uma carreira notável e carecem do reconhecimento do público cearense. “Este é um novo momento de criação de público para a arte contemporânea no Ceará, com o surgimento de novos nomes e uma democratização da arte. É nesse movimento que temos levado a Contemporarte. Também é um momento de amadurecimento da galeria. Estamos orgulhosos em trabalhar com artistas desta qualidade e realizar este intercâmbio de produções diretamente de Londres e de Berlim.”, afirma o galerista.

 

Caligrama

O cearense é um povo com tradição de êxodo, da terra cáustica e falta de oportunidades que o leva a desbravar novos lares e horizontes. Entretanto, há algo ligado ao chão onde nascemos que nos coloca às voltas com nossas questões de identidade e pertencimento.

É com esse sentimento que a Contemporarte apresenta uma exposição de encontros pouco prováveis, de quatro artistas em diferentes lugares e momentos que possuem visões de fronteiras elásticas para sua obra, e entram em diálogo pela primeira vez.

Em comum elas têm o fato de serem mulheres nascidas no Ceará e possuem um conjunto de obra que alcança um público global. Já de diferenças seriam muitas para listar: são processos distintos que passam pela escanografia, fotografia, performance, escultura, costura, tatuagem, grafite e desenho; além de questões e contextos tão diversos e particulares do universo de cada uma. Um caligrama de obras, fragmentos poéticos de quatro artistas, que ecoavam soltos e enfim entrelaçam-se.

 

Sobre a Contemporarte

Fundada em 2014, a Contemporarte surgiu como um projeto de empreendedorismo dos sócios Aldonso Palácio e Mário Acioli, apaixonados pela arte contemporânea nacional do século XX e XXI, sobretudo a cearense. A princípio, funcionou como galeria online, no intuito de facilitar o acesso a gravura e arte cearense para um público cada vez maior e conectado. Com a inauguração da sede física, passou a reunir artistas e interessados em arte. Seja nas grandes exposições, lançamentos editoriais, apresentações ou nos encontros despretensiosos para falar e admirar arte contemporânea.

Atualmente, a galeria incentiva uma nova geração de colecionadores, oferecendo obras com real valor artístico de nomes estabelecidos no cenário e de uma nova safra promissora de artistas.

 

Artistas

 

Ana Cristina Mendes (Fortaleza-CE, 1967)

Ana Cristina Mendes é artista visual, mestra em Artes (UFC-CE), graduada em Artes Plásticas (IFCE–CE), Design (FIT – Fashion Institute of Technology, Nova York / EUA) e extensão em Dança e Pensamento (Escola de dança da Vila das Artes / UFC). Trabalha na fronteira de diferentes linguagens artísticas, com o olhar direcionado ao desenho, à performance, à fotografia e à vídeo-instalação. A experiência artística se dá a partir dos sintomas provocados no corpo que rompem brechas como prováveis escapes. Sua pesquisa recente Oceano [in]vestido teve como proposta um trabalho em processo e em colaboração à distância, através de um experimento (um vestido e um caderno de registro) deslocado como disparo para uma experiência estrangeira. O processo continua e, nesse momento, novos escapes desaguam em extensões mais elásticas através do mar-tecido, que apresenta na galeria a partir de uma performance em vídeo e pinturas que vieram a partir dessa experiência. Metaforicamente, criar esse ”mar”, impregná-lo com seus resíduos naturais e atravessá-lo pelo Atlântico é como uma lente de alcance que, para além da arte, propõe-se a diluir fronteiras, falar de formas de ligação, conexões e viagens. Realizou exposições coletivas, individuais, performances e residências artísticas em âmbito nacional e internacional. Integra grupos ligados a performance e corporeidade.

 

Luiza Simons (Quixadá-CE, 1953)

Luzia Simons trabalha vive e trabalha em Berlim e já participou de importantes mostras coletivas em instituições como a Bienal de Curitiba (2013), o Museum der Moderne (Salzburg, Áustria), Kunsthalle Emden (Emden, Alemanha), o Tóquio Art Museum (Tóquio, Japão), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, Pinacoteca de São Paulo e individualmente na Bienal de Istambul (2005), no Museum de Buitenplaats (Eelde, Holanda), no Centre d’Art de Nature ( Château Chaumont-Sur-Loire, França). Sua obra faz parte de coleções nacionais e internacionais, como as do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do Fonds National d Art Contemporain (Paris, França), do Graphische Sammlung der Staatsgalerie (Stuttgart, Alemanha), da Casa de las Américas (Havana, Cuba), da University of Essex Collection of Latin American Art (Essex, Inglaterra), entre outras.

Volta a Fortaleza com a série Tickets (Einzelfahrt), composta por 13 trabalhos em escanografia, que refletem o deslocamento cultural e de identidade da artista em solo alemão. Os elementos de segurança impressos nos bilhetes do transporte público de Berlim brincam com o sentido da palavra alemã Einzelfahrt, que traduz livremente “viagem só de ida”. Estes elementos são mesclados com recortes que representam suas origens nordestinas e brasileiras. Uma dialética do pertencimento e da incessante condição de estrangeira da cearense, que reside há mais de 40 anos na Europa.

 

Tereza Dequinta (Fortaleza-CE, 1987)

O trabalho de Tereza Dequinta confunde-se com o Acidum Project de arte urbana, fundado em 2006 e que toca junto o marido Robézio Marqs desde 2011. O casal já realizou grandes murais e importantes projetos em Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Colônia, Berlim, Paris, Cabo Verde, Miami e Toronto. A arte do projeto é dinâmica e variada, além das pinturas o projeto utiliza outros suportes e variadas técnicas para as artes, tais como: design, fotografia, graffiti, lambe-lambe, tatuagem, stickers, stencils, vídeos, além da criação de poesias.

Para esta exposição, Tereza traz uma seleção de pinturas com seus personagens e fantasias característicos, reverberando o reconhecido trabalho muralista urbano. A artista nos traz também uma série de desenhos onde a sobreposição de papéis nos mostra como a arte de Tereza e de Robézio se unem e se diferem no processo do Acidum.

 

Tete de Alencar (Iguatu-CE, 1977)

Nascida em Iguatu, Tete Alencar vive e trabalha em Londres e é membro da Royal British Society of Sculptors. Tem na escultura uma de suas principais vertentes, passando ainda pelo happening, fotografia e desenho. Já expôs seus desenhos e esculturas na galeria Andrea Rehder, em São Paulo, assim como na Alemanha, Inglaterra, França e Cuba.

Em 2001, a artista trouxe objetos em tecido para uma exposição em Fortaleza, que na nossa luz tomou outra configuração, ganhando vida no fim da tarde com a energia do sol, projetando sombras nas paredes que mais pareciam seres vivos. Desde então, copiar as sombras de todas suas esculturas tornou-se um hábito.

No ateliê, em Londres, os desenhos são preenchidos com linhas paralelas que Tete afirma que nunca haver errado uma sequer, parecendo os já ter desenhado na mente, podendo prever todos os obstáculos que encontraria pela frente.

As peças da Caligrama são sombras fotografadas das pedras do deserto do Wadi Rum na Jordânia. As sombras nesta parte do mundo são tão importantes quanto as sombras do Ceará que são essência para a sobrevivência dos seres que vivem neste ambiente.

 Serviço:

Caligrama

Local: Galeria Contemporarte (Rua Vilebaldo Aguiar, 300 – Cocó)

Data: 16 de março a 13 de abril

Endereço: Rua Vilebaldo Aguiar, 300, Papicu

Horário de visitação: segunda a sexta, de 10h às 19h

Contato: (85) 3023.2001

Programação Gratuita

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