Exposição do artista Silvio Rabelo tem abertura, na quinta-feira (06), no Dragão do Mar

 

Desenhista, pintor e escultor que domina a técnica da marchetaria – arte de ornamentar superfícies planas –, Silvio Rabelo será homenageado com a exposição “Silvio Rabelo reinventando a marchetaria”, que terá abertura próxima quinta-feira (6), às 19h, no Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O acesso é gratuito.

Sob curadoria de Valéria Laena, diretora de museus do Dragão, a mostra traça um percurso em torno de 40 obras do artista que revelam o olhar sensível para extrair das fibras naturais preciosos tons de madeira, numa expressão plástica que reúne marchetaria e pintura.

Silvio Rabelo destaca-se por ser autodidata assim como pela habilidade na criação de trabalhos com madeira a partir de pesquisa e experimentação. Suas obras ilustram capas de livros, discos e coleções relevantes do Brasil e exterior, compondo também exposições individuais no Museu da Cachaça, Tribunal Regional do Trabalho, Receita Federal, dentre outros.

 

Silvio por Descartes Gadelha

“Ao contrário do arrastão de tudo aquilo que é chamado de arte contemporânea em que o fazer manual é relegado, Silvio reabilita o poder da artesania. Isso nos acalma, lembrando em tempo, que somos humanos possuidores de alma.

Também nos alerta que a tecnologia (ainda) não conseguiu nos transformar em autômatos no rumo da extinção. Portanto, o artista prova que as mãos estão ligadas ao espiritual. No processo criativo faz uma sondagem arqueológica, uma das mais antigas artes, a marchetaria. Seu sentimento estético perfeitamente conectado com as mãos reconstitui e revitaliza essa arte; assim, faz uma assepsia nos olhares poluídos e infectados pelo lixo artístico da sociedade de consumo.

Proporciona novas possibilidades de ver e olhar o objeto artístico ao fundir a marchetaria com a expressão plástica da pintura, resultando numa reinvenção dessas duas técnicas numa só dimensão. Abandona a paleta das cores químicas pela paleta (botânica). Seu olhar de pintor ultrapassa o cromatismo artificial e penetra no lenho, âmago das fibras naturais para garimpar os mais preciosos tons de madeira.

A árvore abatida é replantada. Não existe a infração ecológica porque acontece o reflorestamento no sítio estético.

O artista sabe que a natureza é simples, sem arrogância e pretensão; também sabe que a natureza é a única harmonia legítima. Silvio incorpora esse princípio ao simplificar sua atitude diante da vida e da arte. Daí não mais há exuberância artificial das cores industriais que dominam as temáticas do consumismo. Agora, são as cores suaves e legítimas nos delicados pedacinhos de madeira utilizando a sensível técnica da incrustação. Com as folhas secas que caem no pé da árvore sempre renovando imagens, Silvio monta sua obra com o mesmo sentimento e olhares dos pintores engarrafadores das areias coloridas do Aracati e das bordadeiras da praia do Iguape. Sílvio Rabelo faz parte dessa importante casta de artistas cearenses”.
Sobre o artista

Autodidata no início da juventude, descobriu sua habilidade com a madeira e as possibilidades de criação advindas desse recurso natural renovável. Aos 20 anos, iniciou-se nas artes como entalhador e escultor.

A inquietude de sua mente criativa o levou a experimentos exploratórios imprevisíveis com restos de madeira, na tentativa de reaproveitar a matéria-prima que a cada dia parecia descortinar inúmeras possibilidades de expressões. Foi daí que, longe do academicismo, surgiu a empatia com a marchetaria, técnica que tem possibilitado um referencial para descobertas e reconstruções cognitivas.

O trabalho do artista retrata uma herança cultural interiorizada, somada a construção de subjetividade resultante de uma multiplicidade empírica.

O artista Sílvio Rabelo, desenhista, pintor e escultor é versado na técnica da marchetaria que constitui caminho frequente na produção de sua obra que hoje ilustra capas de livros e de discos importantes e compõe acervos relevantes no Brasil e no exterior. Participou recentemente da exposição que percorreu o Brasil em homenagem a Luiz Gonzaga com a curadoria de Bené Fonteles.
Exposições individuais do autor

Faculdade Integrada do Ceará – 2007

Receita Federal do Brasil – 2007

Luciano Cavalcante – 2008

Museu da Cachaça – 2009

Tribunal Regional do Trabalho – 2009
Prêmios

Vencedor por unanimidade do concurso para escolha da logomarca da CEDP – Companhia Estadual de Desenvolvimento Agrário e de Pesca – 1989.
Serviço:

Exposição “Silvio Rabelo reinventando a marchetaria”
Abertura: dia 6 de setembro de 2018, às 19h
Onde: nas salas 1 e 2 do Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
Visitação de 7 de setembro a 4 de novembro de 2018, de terça a sexta-feira, das 9h às 19h, com acesso até as 18h30; e aos sábados e domingos, das 14h às 21h, com acesso até as 20h30. Acesso gratuito

Classificação etária: Livre

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  • Foi show essa exposição…!!!
    Tirei muitas dúvidas sobre essa técnica…!!! 🙂