Programa Literatura em Revista apresenta “O guarda-roupa de Frida Kahlo” com jornalista Izabel Gurgel

 

 

Na terça-feira (9),  às 17h30, a jornalista Izabel Gurgel vai falar, no Programa Literatura em Revista, usando a condição de leitora,  sobre “O guarda-roupa de Frida Kahlo: acervo, arquivo, edição” a partir do livro “El ropero de Frida”, publicado em 2007 na Cidade do México.

O bate papo vai acontecer no Centro Cultural Banco do Nordeste CCBNB Fortaleza (Rua Conde D´Eu, 560, Centro – mesmo local do antigo Mercado Central) e vai contar com a mediação de Talles Azignon .

Na condição de leitora, a jornalista Izabel Gurgel vai falar sobre “O guarda-roupa de Frida Kahlo: acervo, arquivo, edição” a partir do livro “El ropero de Frida”, publicado em 2007 na Cidade do México.  A fala vai percorrer um livro, um arquivo, uma coleção. E algumas das edições possíveis do acervo adquirido, criado, usado e legado pela pintora mexicana Frida Kahlo (1907 – 1954).

O livro tem coordenação editorial de Denise e Magdalena Rosenzweig, da Zweig Editoras. A primeira edição foi publicada há dez anos, por iniciativa dos museus Dolores Olmedo e Frida Kahlo, Conarte – Conselho para a Cultura e para as Artes de Nuevo León e Zweig Editoras.

Ainda sem edição no Brasil, “El ropero de Frida” só se tornou possível depois da abertura do mítico banheiro da Casa Azul, a casa de Coyoacán onde a pintora viveu grande parte de sua vida. O banheiro permaneceu fechado durante quase 50 anos abrigando um mundo de peças de vestuário, fotografias e objetos dos mundos de Frida Kahlo.

Na casa de Coyoacán Frida viveu grande parte de sua vida e morreu ao amanhecer do dia 13 de julho de 1954. Quando da morte da artista, o pintor Diego Rivera (1886 – 1957), com quem Frida casou duas vezes, Rivera separou, então, alguns objetos para transformar a casa no Museu Frida Kahlo. Todo o resto, guardou em um dos banheiros da casa, recomendando que só fosse aberto 15 anos depois da morte dele.

Rivera morre em 1957. A Casa Azul abriu em formato de Museu Frida Kahlo em 1958. O banheiro ficou fechado até abril de 2004. Uma vez aberto, origina publicações. Uma seleção das mais de 6 mil fotos encontradas, por exemplo, gerou o livro “Frida Kahlo – Suas fotos”. Das cerca de 200 peças de roupa, foi elaborado o livro “El ropero de Frida”, tema do encontro no CCBNB.

 

Mundos México

“Como uma constelação de bordados sobre um mapa, as peças dão relevo ao saber estético, têxtil, de um México mais vasto do que suas fronteiras físicas”, diz Izabel, citando textos do livro. “Para além de um comentário sobre atitude, moda ou performance, as roupas, os modos de vestir da artista, constituem uma singular elaboração de uma persona artística. Corpo cotidiano, corpo em festa, corpo em ato político, Frida aprimora sua ornamentação pessoal, zela por ela, como alguns povos da América cultivaram uma arte plumária em uma larga experiência de tempo, que abrange desde muitos séculos antes da chegada dos europeus”, diz Izabel em diálogo com outros livros e publicações sobre Frida Kahlo.

A partir das peças e objetos guardados (protegidos, alterados ou danificados pelo pó do tempo), o trabalho de profissionais de campos diversos – restauração, fotografia, antropologia, museologia  etc. -, vai transformar um acervo pessoal em arquivo passível de uso comum, acessível, acessável. Catalogadas, as peças passam a fazer parte do acervo do Museu Frida Kahlo.

Através da própria obra da pintora – uma grande parte dela formada por autorretratos -, através de fotografias e descrições textuais, podemos perceber a edição contínua que Frida fazia do que lhe caía nas mãos. “Isso vale para o guarda-roupa que construiu para si. Isso vale para as pinturas votivas (ex-votos) que colecionou e cuja ideia básica de composição reelaborou em suas pinturas”, diz Izabel.

“Leituras sobre Frida Kahlo geram novas edições. A edição é ofício de todx leitxr, sabemos”, comenta Izabel. “Desde estudos ampliados de sua vida-obra à apropriação e usos, de uma vida-obra que não cessa de vibrar no lastro de memórias (re)inventadas, em suportes/meios/linguagens os mais diversos, como o grafite e a dança, por exemplo. Memória aqui como um tráfego – tráfico incessante entre lembrar e esquecer, uma rede de edição de acessos possíveis”.

Em Fortaleza, para apreciação da vida – obra de Frida Kahlo a partir de livros, incluindo um exemplar do livro “El ropero de Frida”, Izabel recomenda o acervo do Plebeu Gabinete de Leitura, na sede da Associação Cearense de Imprensa (rua Floriano Peixoto, 735, quinto andar, Centro, quase esquina com Liberato Barroso). “Para passear pelos mundos Frida Kahlo, o Plebeu Gabinete de Leitura tem os melhores destinos, pontos de passagem, deliciosas paradas”, diz. São livros, catálogos, revistas etc.

“O Plebeu e o acervo Frida como uma estação de embarque – de partidas e chegadas -, com variadíssimas possibilidades de conexão”, explica. “O acervo sobre Frida Kahlo no Plebeu, como no mundo, vai se conectando com livros e outras publicações sobre história social e política da América Latina, movimentos libertários, enfim, uma rede de leituras em ação.”

“Bacana também em Fortaleza é pensar que o lugar do CCBNB hoje abrigou o Mercado Central da cidade”, segue Izabel. “Sabemos que o que chamamos artes, tradições, saberes populares são não só uma grande parte do nosso patrimônio público mas fonte que não cessa de brotar. Artistas, artesãos, brincantes são zeladorxs da beleza do mundo. Frida Kahlo não só bebia como cuidava dessa fonte, quase sempre anônima, tantas vezes invisível”.  Em agosto de 2016, Izabel Gurgel ministrou também no CCBNB o curso “O sumo da flor – a vida calada doadora de mundos: livros e leituras sobre Frida Kahlo”.

O livro “El ropero de Frida” é um dos quatro livros básicos a partir dos quais se realiza o curso. Os outros são o já citado “Frida Kahlo – Suas fotos”, a edição fac-similar do diário íntimo da artista, publicado no Brasil, e “Las fiestas de Frida Y Diego”, de Guadalupe Rivera Marín e Marie-Pierre Colle Corcuera, ainda sem edição no Brasil.  Quem chegar mais cedo ao CCBNB dia 9 vai encontrar uma mesa com publicações sobre a pintora mexicana. “Sempre levo livros para sessão degustação”, diz Izabel.

 

 

Ficha técnica do livro

El ropero de Frida

Primeira edição: 5.000 exemplares (194 pág., cor, 31cm x  24cm)

 

Zweig Editoras, 2007, Metepec, Estado do México

Coordenação editorial: Denise Rosenzweig, Magdalena Rosenzweig

 

Fotografia: Pablo Aguinaco, Graciela Iturbide

Desenho: Mónica Zacarías Najjar

 

Cuidado da edição: Alberto Alazraki Pfeffer

Direção de arte: Natalia Lavalle Minvielle

Marianne Basurto Rosenzweig

 

Retoque fotográfico: Juan Haquet Galdiño

Restauração: Marichu Blanco Pfiter, Gabriela Fuentes Orozco, Claudia del Río Olache, Rosa Lorena Román Torres, Denise Rosenzweig, Magdalena Rosenzweig

 

Textos* (*títulos em livre tradução de Izabel Gurgel): Carlos Philips Olmedo (apresentação), Denise e Magdalena Rosenzweig (Os achados no banheiro de Frida Kahlo; A seleção e os primeiros trabalhos), Teresa del Conde (Os looks de Frida Kahlo), Os enxovais de Frida Kahlo: ecletismo e etnicidade (Marta Turok).

 

Com fotos de Manoel Álvarez Bravo, Lola Álvares Bravo, Florence Arquin, Imogen Cunningham, Giséle Freund, Claudia Garza, Juan Guzmán, Liebman Hermann, Guillermo Kahlo, Antonio Kahlo, Berenice Kolko, Leo Matiz, Agustín Maya, Tina Modotti, Nickolas Muray, Leonel Reiss, Alejandro Vallejo G., Edward Weston e fotos sem autor oriundas de Coleção Cristóbal Arias, Archivo Cenidiap, Banco de México, 51 Inferior/Coleção Gustavo de Rosenzweig T., Coleção Francisco Ysita del Hoyo.

 

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